Fico reparando nesses casais no facebook e fico pensando que nós somos bem diferentes deles. Você não suporta que eu fale com voz de criança com você, te chame de bebê ou derivados, me zoa desde que eu me lembro por eu ser baixinha e branquela, e pra compensar, eu te zôo desde que o primeiro dia em que eu te vi por você ter um nariz de tucano e ter usado durante um bom tempo, um moicano digno de uma calopsita. Não somos aquele casal que aconteceu um amor à primeira vista, foi mais pra risada à primeira vista. Eu não imaginaria nunca que aquele b-boy, que andava com a roupa inteira combinando, um dia estaria namorando comigo. Muito menos que ele se encaixaria exatamente no que eu imaginei durante um bom tempo ser o cara perfeito pra mim. Quando eu comecei a reparar mais em você, neguei esse sentimento que surgia até o último instante, até meus queridos amigos, e mesmo meus inimigos, começarem a notar que meus olhos brilhavam quando eu te via, ou quando alguém falava de você. Eu orei durante tanto tempo, pedindo a Deus pra tirar esse sentimento de mim, não conseguia mais sofrer, minhas forças estavam no fim, e ver você com outra pessoa do seu lado, que não era eu, me fez chegar ao fundo do poço. Hoje eu sei que a chave de tudo é oração conjugada com paciência, porque nada acontece no nosso tempo. Talvez no início, não teríamos maturidade suficiente pra entender e ajudar um ao outro quando precisássemos, e como tudo que começa rápido, iria acabar rápido e iria me machucar mais do que machucou em todo esse tempo de uma paixão não correspondida. Só tenho motivos pra agradecer a Deus, porque Ele colocou meus amigos, minha família e principalmente você na minha vida, aquele que está do meu lado em qualquer circunstância, que me oferece um ombro pra chorar, um abraço pra me consolar, suas palavras pra me animar, que consegue arrancar um sorriso com um beijo, e claro, que me faz ter crises de riso constantemente. Você é a pessoa mais chata que eu conheço, mas ainda assim, eu te amo demais, meu namorado e meu melhor amigo.
— Júlia Alves